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Nas redes sociais surgiu uma nova geração conhecida como “Millennials”, esta é composta por cerca de 160 milhões de usuários digitais, que equivalem a 30% da população na América Latina. É importante que as empresas incorporadoras grandes e pequenas, através do uso da tecnologia, abordem este mercado que está crescendo.

A chegada dos Millennials – pessoas nascidas após 1980 e antes de 2000 – para o mundo do trabalho e do consumo colocou este grupo sob o destaque de empresas e consultores e não passam muitos dias sem um estudo publicado sobre seus traços, hábitos ou prioridades. Eles são importantes porque há muitos – 26% da população mundial – já representam mais da metade da população ativa e em oito anos serão 75%, o que lhes confere uma grande capacidade de influência, o que é aumentado por ser a primeira geração de nativos digitais. Sua conexão permanente e sua alta sociabilidade lhes conferem poder para influenciar as compras e transformá-las em tendências para que elas estejam interessadas em detalhar seu comportamento e até mesmo sua personalidade. Na verdade, em um grupo tão grande, é difícil estabelecer padrões que irão servir a todos, embora alguns analistas e consultores que pesquisaram sobre assegurem que eles sejam mais parecidos entre si que os membros das outras gerações devido à globalização e homogeneidade da informação e dos valores que lhes foram transmitidos através das tecnologias.

O professor de gestão pessoal de Ia Guido Stein é um dos especialistas que descreveu algumas das particularidades dos Millennials  e afirma que esta maior homogeneidade é mais clara entre aqueles que ele chama de “milênio secundário”, aqueles que nasceram entre 1990 e 2000, que agora estão treinando ou entrando no mercado de trabalho. E destaca-se como uma das suas características mais representativas a necessidade de aprovação dos outros. “Eles são pouco menos do que adictos ao reconhecimento público, que não só esperam obter dos seus superiores, mas também, e acima de tudo, seus semelhantes”, diz o professor, que salienta que esse interesse em ser o centro das atenções, observa tanto em sua vida diária como em sua atividade de trabalho.

Eles importam porque são muitos e em oito anos serão 75% da população ativa

Para Stein, esse desejo de reconhecimento tem a ver com a educação que receberam, especialmente no ambiente familiar, onde certa imaturidade foi promovida e não conquistada com seus próprios esforços. Esta imaturidade também contribui para o fato de que uma geração nunca esteve tão conectada entre si como esta, porque quando se relaciona entre iguais e através de redes sociais não estão tão expostas a pessoas de outras idades e outras atividades, e isso afeta que não amadurecem tanto. Assim, de acordo com Stein, uma parte importante desses jovens tem uma excelente formação acadêmica, em línguas e tecnologia, mas apresenta falta de caráter e deficiências nas suas habilidades interpessoais.

Pablo Mondragón, antropólogo social e fundador da Antropologia 2.0, acredita que este interesse na aprovação de outros não é uma característica psicológica da juventude de hoje, mas sim tem que ver com novos canais de comunicação, com avanços técnicos. “Todos nós precisamos de reconhecimento e todos nós gostamos de ser reconhecidos, acho que isso é algo inato para o ser humano; O que mudou é que esses remendos foram produzidos e procurados anteriormente no ambiente doméstico, em um ambiente reduzido, e agora que estamos interligados, podemos ter um reconhecimento mais amplo e os avanços técnicos nos dão as ferramentas para ter feedback, então esperamos reações a tudo o que fazemos “, diz Mondragón.

Além disso, Idoia de Paz, chefe do departamento de consultoria da Human Capital da Deloitte – um relatório anual sobre os Millennials – acredita que o desejo de reconhecimento é agora mais visível porque os jovens o exigem em tempo real, porque estão acostumados a feedback constante e comunicação imediata, e para eles não faz sentido esperar a avaliação anual para conhecer as reações ao seu trabalho. “Eu acho que ser um Millennials é uma atitude, não uma geração, porque não sou uma idade, e também quero esse reconhecimento e uma organização mais rápida e flexível, porque a tecnologia encoraja”, diz ele.

Mondragón pensa que, ao invés de mudanças a nível psicológico, a nova geração de jovens vê mudanças cognitivas, porque vivemos em um mundo onde o imediatismo foi imposto, onde tudo adquire maiores velocidades e onde a identidade digital conta.

Eles estão preocupados com a imagem que eles transmitem e causam insegurança

O imediatismo também é considerado uma característica desta geração. “Eles são impacientes porque foram educados em instantaneidade e estão acostumados a insumos contínuos e imediatos, mas esse hábito de imediatismo sustentado ao longo do tempo tornou-se confortável fazendo várias tarefas ao mesmo tempo (…) tudo em alta velocidade, para ser rápido para aprender “, resume Stein. Ele acrescenta que a contrapartida é que, em muitos casos, eles sofrem com a falta de capacidade de análise aprofundada. De Paz, da Deloitte, acredita que os milênios são muito conscientes do que eles conhecem e não sabem e se algo os caracteriza é que eles sempre querem aprender mais e querem conversar com pessoas que sabem mais, com gerentes, com especialistas em os temas. O imediatismo da comunicação torna impaciente e também multitarefa.

A primeira pesquisa foi apresentada por Michelle Grant, chefe de varejo da Euromonitor, com o tema: “Como o consumo dos EUA será em 2025?” O executivo trouxe um painel bastante rico com várias descobertas importantes. De acordo com o estudo, cinco tendências irão dominar em termos de influência no comportamento dos consumidores nos próximos 10 anos:

A urbanização é a primeira delas. Mais e mais pessoas vivem em grandes cidades (na verdade, entre as maiores economias do mundo, nenhuma urbanização esta sendo mais rápida que no Brasil); A renda vem a seguir: a distribuição e o potencial do consumo serão diferentes da atual; As Tarefas da casa também serão diferentes, considerando os novos formatos familiares; O envelhecimento da população e a diversidade se enquadram no escopo.

A geração dos Millennials também é conhecida pelo seu caráter “boomerang”, uma vez que eles são os que tiveram que voltar para casa dos seus pais e estão atrasando a formação de uma família devido à situação econômica atual: a dificuldade em encontrar um emprego e acesso a habitação.

O grande desafio será desenvolvermos produtos imobiliários para estes  novos consumidores, já que a expectativa é de que as gerações de nativos digitais (Millennials) sejam a maioria da população ativa em 2025. Vamos nos preparar para esta oportunidade?

1 COMENTÁRIO

  1. Texto bom. Porém dá para notar um certo ar de preocupação e apontamento de encontro com a geração nascida 1990-2000. Eu sou dessa geração, tenho esses desejos e sou adepto dessa atitude. E discordo nos seguintes aspectos:

    1) Boa parte dessa geração não foi criada com imediatismo, e sim com vontades que nunca lhe foram feitas. E cresceram focados em fazer as coisas acontecerem e obstinados a vencer.
    2) Imaturidade. Essa é um palavra que não cabe em nosso vocabulário. Sabemos dizer “não”.
    3) Atraso na formação de uma família. Isso se dá em parte dessas pessoas, de fato. Porém um jovem que adota a atitude dos millennials, empreende., estuda finanças, e cria seus próprios zeros (à direta).

    Em relação ao foco que o texto parece ter no título, e que no corpo do texto deixa um pouco a desejar e sai um pouco do tema ao tentar descrever o comportamento dessa geração, o setor imobiliário ainda não conseguiu identificar o produto que essa geração irá absorver daqui há alguns anos. E digo, por ser dessa geração e participar no mercado imobiliário, hoje eu não compraria nenhum apartamento (e não é falta de aporte, e sim de escolha de perfil).

    Somos voltados à tecnologia. E hoje a cultura de construção é obsoleta em relação ao mercado tecnológico. Construam um apartamento com registros, painéis tecnológicos, sistemas holográficos, sistema de sensores, controle de aparelhos remotamente… Esse perfil que chama nossa atenção.

    Essa discussão sobre gerações está entrando numa curva de crescimento exponencial. É um caminho sem volta.

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