A intenção é modesta. Pretendo apenas descrever de forma sucinta e clara o concreto submerso, este material que poucos conhecem e usam. Ele é largamente utilizado em obras offshore e sempre requer acompanhamento de mergulhadores. Com um vídeo ilustro o ensaio de recebimento deste concreto, onde você já pode ver o “jeitão” do cara.

O ambiente marinho é muito agressivo. A norma classifica estas regiões como “de agressividade máxima”, nível IV, ou muito forte. Nestas regiões o risco de deterioração da estrutura é elevado, exige cobrimentos maiores e menor relação água/cimento do concreto. Já as estruturas totalmente submersas não sofrem os mesmos problemas, por não terem ciclos secos e úmidos, e também pela ausência de oxigênio.

O concreto submerso no ambiente marinho tem que estar preparado para sofrer uma série de agressões ao longo do seu tempo de vida, principalmente nas zonas sujeitas a ciclos de molhagem e secagem, como no caso de quebra-mares, pilares de ponte semi-submersos e outras estruturas. A variação das marés propicia manifestações patológicas freqüentes, como a corrosão das armaduras, devido à carbonatação, e ao ataque de cloretos presentes na água do mar. Já a abrasão superficial do concreto também é comum em casos de estruturas submetidas a impacto direto das ondas do mar e de embarcações.

Devido a todas estas condições de trabalho, o concreto submerso é produzido com cimentos que oferecem maiores resistências aos ataques químicos, como é o caso do CP-III e do CP-IV, sem desprezar o uso de adição mineral como sílica ou metacaulim.

A fôrma pode ser reaproveitada quando em madeira, ou incorporada à estrutura, quando metálica.

E para que não haja dispersão do concreto ao entrar em contato com a água, ele precisa ser coeso e apresentar exsudação nula. Associando estas duas condições se obtém uma massa de viscosidade tal que se permite o seu bombeamento – com uso de tremonha – até o interior da fôrma, a expulsão da água e o autoadensamento, preenchendo o volume. Este é o segredo da brincadeira.

Tremonha é a extensão em tubo rígido com 200 mm de diâmetro, que vai do ponto de aplicação até a caçamba que recebe o concreto da bomba.

O vídeo abaixo mostra o ensaio de recebimento deste concreto em obra. A abertura do disco de flow deve ter, no mínimo, 500 mm de diâmetro…

…Mas não pode exsudar! Observe que nenhuma água foge da massa do concreto corretamente coeso. 

 

Durante a operação de lançamento, a maior preocupação é manter a ponta da tremonha sempre imersa na massa e o fluxo de concreto sempre contínuo para evitar a formação de camadas no próprio concreto, criando uma estrutura não monolítica. Este e os demais trabalhos subaquáticos ficam à cargo dos mergulhadores.

E o que maior estranheza causa ao leigo, que é o endurecimento do concreto dentro d’água, é entendido pelo tecnologista simplesmente como a melhor condição natural de cura do concreto: totalmente imerso, como nos tanques de cura dos laboratórios…

Assim, tudo dá certo!

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Consultor de concreto na PETRONILHO & ENGENHEIROS ASSOCIADOS Petronilho tem uma vida inteira dedicada à tecnologia do concreto e à viabilidade de suas aplicações. Com uma equipe de engenheiros altamente especializados na disciplina, atua como consultor no mercado urbano de edificações, nas obras industriais e de infra-estrutura no Brasil, e dedica especial atenção aos projetos em concreto arquitetônico em diversos países. Foi um dos pioneiros no manejo de grandes volumes de concreto massa refrigerado no Brasil, com a construção de barragens e portos. Na última década tem se dedicado ao estudo, divulgação e emprego do concreto durável, cuja expectativa de vida saudável, sem patologia, chega aos 100 anos. O foco do trabalho é a viabilização financeira do empreendimento com o uso da inovação na construção. Consultor de tecnologia do concreto; consultor de engenharia, portos, aeroportos, grandes projetos de arquitetura, concreto gelado, concreto impermeável, concreto anti-radioativo, ressonância magnética, concreto sub-aquático, sistemas construtivos.

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