O SindusCon-SP e a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgaram, em coletiva de imprensa realizada na capital paulista, as estimativas econômicas setoriais da Construção Civil para o encerramento de 2017 e as projeções para o próximo ano.

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O cenário base aponta para uma queda de 6,4% na atividade econômica setorial neste ano – contra uma estimativa no início de 2017 que apontava crescimento de 0,5%. A projeção da FGV para o PIB nacional neste ano é de 0,9%. Veja no gráfico abaixo:

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Para 2018, o desempenho da construção civil tende a se aproximar mais do restante da economia nacional. A projeção do SindusCon-SP/FGV é de um crescimento de 2% do PIB setorial, enquanto a economia como um todo deve ficar em 2,5%.

Para o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, há alguns fatores condicionantes para que as expectativas no ano que vem se confirmem:

  • a velocidade de absorção dos estoques de imóveis existentes no mercado;
  • a regularização dos distratos, que hoje penalizam as incorporadoras;
  • a efetiva contratação de obras pelo programa Minha Casa, Minha Vida;
  • o aumento da oferta de crédito imobiliário.

No caso específico do financiamento, as condições para melhorar o acesso ao crédito passam, segundo Ferraz Neto, por uma evolução positiva no cenário político, com a inflação baixa e queda no juro real. “As obras de infraestrutura terão um ritmo maior somente se houver novas concessões e privatizações, uma vez que os governos deverão voltar a cortar recursos para investimentos.”

Os fatores apontados pelo SindusCon-SP/FGV como determinantes para o crescimento no ano que vem são praticamente os mesmos que, na mão contrária, causaram a recessão setorial neste ano:

  • Excesso de oferta no mercado imobiliário;
  • Contratações do MCMV ficaram aquém da meta;
  • Ainda os efeitos da Operação Lava-Jato;
  • Crise fiscal: corte nos investimentos;
  • Desemprego elevado e restrições de crédito;
  • Melhora da confiança empresarial ainda não se refletiu nas decisões de investir;
  • Nível dos distratos ainda elevado.

De outro lado, há motivos concretos observados em 2017 para acreditar em uma melhora no cenário:

  • Emprego e confiança dos empresários pararam de cair;
  • Mercado imobiliário: melhora (ainda que tímida) nos lançamentos, vendas e nível do distratos;
  • MCMV: contratações realizadas nos últimos meses de 2017 repercutirão em 2018;
  • Continuidade do cronograma dos leilões em infraestrutura;
  • Mercado informal deve favorecer resultado da indústria.

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Como se pode concluir a partir da leitura do quadro acima, as incertezas se concentram no cenário político/eleitoral e no quadro fiscal preocupante. Na visão do SindusCon-SP/FGV, a dificuldade em promover reformas sensíveis, como a da Previdência, em um ano de eleições e o eventual surgimento de agendas econômicas heterodoxas dos candidatos à presidência da república serão elementos determinantes para o retorno efetivo, ou não, dos investimentos no País.

Saiba Mais

Para acessar a apresentação completa, clique em:

https://www.sindusconsp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Dados-coletiva_2017.pdf

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