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Neste artigo, o professor Pedro Badra aborda a diferença fundamental entre os resultados desejados e aquilo de pode ser alcançado utilizando corretamente tudo o que você possui em mãos: as informações do projeto e a ferramenta BIM.

Em geral, partimos de conceitos e ideias simples de projeto, e através do uso do BIM elevamos nosso conhecimento sobre os mesmos, ao ponto de conseguir um alto nível de precisão em relação ao ORÇAMENTO.

Ao usar a tecnologia BIM é muito oportuno que tenhamos um entendimento claro de dois conceitos: o primeiro é o que se TEM, e o segundo é o que se QUER quando estamos diante de um projeto. Entre estes dois, está a TECNOLOGIA, sendo ela o meio que nos permitirá utilizar O QUE TEMOS para alcançar O QUE QUEREMOS.

Veja:

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Em função disto, precisamos enxergar os softwares não somente em função dos comandos, menus e rotinas que um programa oferece, mas sim enxergando tais recursos como meios de atingir um resultado final.

Este é o raciocinio basico que  tenho recomendado  para enfrentar qualquer operação dos softwares em BIM. Para este artigo, por exemplo, a ferramenta escolhida foi o software ARCHICAD e, ao mesmo tempo em que poderia escrever sobre os comandos exatos e suas funções, podemos pensar nele além dos “chavões  técnicos dos programas”, com analogias melhores.

É o caso, por exemplo, das pastas e menus de comandos do programa, os quais prefiro chamar de KIT DE “FERRAMENTAS” disponíveis. Para operar em quantificação de projetos, os KITS DE “FERRAMENTAS” (abas de comando do software) serão basicamente:

  • 1 – EDIÇÃO
  • 2 – VISUALIZAÇÃO
  • 3 – MODELAÇÃO
  • 4 – DOCUMENTAÇÃO
  • 5 – OPERAÇÕES
  • 6 – JANELAS
  • 7 – AJUDA

Dentro do “KIT DE EDIÇÃO”, por sua vez, teremos as seguintes “ferramentas”:

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Meios para um fim

Prefiro criar esta analogia para entendermos melhor que o programa é, de fato, apenas um MEIO para chegar às informações desejadas. Neste processo, é mais importante entender o que se deseja do que “decorar” todas as ferramentas sem saber o que quer com elas.

Suponhamos, por exemplo, que ao operar o programa você errou uma determinada parede de lugar, e deseja modificar ou apagar ela (este, aliás, é o martírio de todo iniciante que opera o software pela primeira vez….”Como apagar isto que fiz? Será que vai danificar?”)

Se pensarmos bem, veremos que:

  • O QUE SE TEM é apenas um desenho na tela, com uma parede errada;
  • Já O QUE SE QUER é apagar esta parede errada.

Logo, precisamos apenas descobrir qual é a FERRAMENTA para isto. Neste caso, entrando em EDIÇÃO e indo em APAGAR, você irá resolver o O QUE SE QUER.

Se esta mesma orientação fosse transcrita em um manual, seria mais ou menos assim:

“Entre no menu  Edição,  identifique  o elemento a excluir na tela , clique em excluir, volte para a tela.”

Isto está correto, mas o raciocínio por trás disto, que serviria para todas as outras operações, ficou restrito a apenas umas “tecladas”. Na maioria das vezes, alguém que tem apenas conhecimentos “mecanizados” acha a operação extremamente fácil, mas quando se vê diante da tela, pode “ter um branco” por não conseguir reproduzir as sequências observadas.

 

Conceito em mente

Assim, não se culpe e nem tenha a impressão de que você é um jurássico, ou que sua experiência e o seu curso superior foram em vão. Na realidade, você simplesmente ainda não sequenciou as “ferramentas” disponíveis para solucionar sua necessidade. O que de fato importa é ter o conceito correto em mente – ou seja, o entendimento de que aquela parede está errada, e que você tem de corrigi-la.

Para isto, é fundamental que você conheça a solução técnica (o “princípio terceiro” da quantificação de orçamentos), pois ao “mecanizar” o uso das “ferramentas”, você resolve a questão técnica.

Desta forma, esquematizando o raciocínio acima:

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Assim, tenho aprendido que o importante é obter o resultado da operação dentro do que você considera exato, e não a operação em si, que é apenas um ato mecânico de conhecimento da sequência de uso das “ferramentas” disponíveis.

Este modo de raciocinar, usando a técnica do que SE TEM e o que SE QUER, diminui em muito o aprendizado desta tecnologia.

 

Conclusão

No fim das contas, é sempre bom lembrar que é  o conceito que orienta a operação, e a operação leva ao resultado:

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O conceito é o conhecimento técnico, a operação é a sistematização dos conhecimentos dos KITS DE “FERRAMENTAS” E AS “FERRAMENTAS” e o resultado é o que seu bom senso  espera, com as precisões superiores às tecnicas até agora adotadas, de leituras em CAD.

A busca desta precisão de quantitativos é o grande objetivo do uso da Tecnologia BIM na quantificação dos projetos.

A precisão, por sua vez, é o resultado das informações de projeto.

Vale salientar um conceito nosso e de diversos autores de livros de ORÇAMENTOS que:

“Sendo o orçamento o produto de quantidades e preços, e preços sendo compostos de mão de obra (Salário + Leis Sociais), material, equipamento, BDI, onde as variáveis de precisão passam por produtividade, leis sociais, em que se consideram variáveis com estimativas nos valores variáveis das leis sociais incidentes do custo da mão de obra, preco de mercado para materiais, lucro, e despesas de escritório central na composição do BDI ou LDI”.

Destas variáveis todas, considero que as QUANTIDADES são os elementos mais precisos.

 

CAD x BIM

Desenhos Assistidos por Computadores (CAD)  já tinham em sua condição o projeto na escala 1:1, cuja precisão é fundamental.

Nos sistemas BIM, estes projetos são desenvolvidos em três  dimensões. Além do aumento em precisão, ganhamos na facilidade de entendimento dos projetos e suas quantificações. Isto nos traz bastante claramente que a QUANTIFICAÇÃO será função dos níveis de detalhes e informações dos elementos de projetos e memoriais.

Do tempo em que opero o BIM ainda não descobri nenhuma ferramenta capaz de supor ou imaginar situações senão aquelas que estão em projeto. Assim, se as informações contidas na tela forem de pré-projetos, seus resultados terão a precisão de pré-projetos. Se forem básicos, a precisão será de básicos; se executivos…de executivos. Ou seja, variando de Níveis de Desenvolvimento (ND) 100 a 500.

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