Prezado leitor, este é o segundo de uma série de artigos de nosso Blog. “Dr. Impermeabilização”, no qual pretendemos abordar de uma maneira ampla o tema da impermeabilização.

A intenção destas abordagens é oferecer a todos – em especial ao grande público da construção civil  que contrata serviços de impermeabilização, mas não necessariamente é “expert” no assunto – a oportunidade de compreender melhor este que é um tema de grande importância, mas nem sempre tão claro.

Neste e nos outros posts da série, trataremos do entendimento do “status quo” da área, de produtos no mercado, além de refletirmos quanto à sua importância e à garantia oferecida às áreas que necessitam de estanqueidade.

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Hoje vamos falar da Poliuréia, também conhecida como “manta líquida”. Começamos mencionando que uma membrana de poliureia é “Taylor made”, ou seja, é única e só se forma quando da reação química entre o isocianato (aromático ou alifático) e um componente de resina amino terminada, a poliamina.

Esta reação resulta na versão “pura” da membrana, que pode ainda ser do tipo aromática, alifática, aplicada com hot spray ou baixa pressão. Além desta, temos as versões de produtos “à base de poliureia”, híbridos obtidos acrescentando poliol à formula, em proporções diversas.

Normas técnicas

Em 11 de outubro de 2016 foi publicada a norma técnica ABNT NBR 16545 – “Revestimentos de alta espessura com sistemas de poliuréia e híbridos de poliuréia/poliuretano – Requisitos de desempenho”, pelo comitê CB 10 de Química, que certamente se aprofundou nas características técnicas do produto (físicas, mecânicas e químicas), na excelência da preparação do substrato e nas condições à aplicação e não através do CB 2 – Construção Civil ou CB 22 – Impermeabilização, que são comitês voltados a estabelecer, preferencialmente, parâmetros de desempenho e expectativa de vida útil dos diferentes tipos e sistemas de impermeabilização.

Isto é um aspecto que deve ser resolvido pelos fabricantes que ofertam a poliuréia para impermeabilização nas mais diferentes áreas de uma edificação residencial, como por exemplo: lajes com trânsito de veículos, áreas molhadas, piscinas, reservatórios, etc., pois no texto da norma ABNT NBR 16545 não existe menção específica ao uso da poliuréia como um produto impermeabilizante para edificações habitacionais.

 

Vantagens e desvantagens

O advento da nanotecnologia atiçou, em muito, a curiosidade e interesse de todos de estender aos mais diversos produtos os seus benefícios. No caso da poliuréia, recebemos expectativas de um produto fantástico, mas sem lembrar de que as frustrações por um insucesso também são fantásticas e na maioria das vezes, inesquecíveis.

Por isso, é preciso entender que quando somos apresentados a produtos, normalmente o foco é no melhor que se pode ter do mesmo. Para não incorrermos neste erro, vamos trilhar o caminho de mostrar as vantagens e desvantagens da membrana de poliuréia.

 

Vantagens da poliuréia

  • cura e secagem em segundos,
  • forte aderência física a substrato seco e rugosidade correta,
  • dispensa da proteção mecânica para trânsito de veículos ou pessoas,
  • grande resistência a abrasão e a diversos produtos químicos,
  • alongamento elevado e grande resistência ao puncionamento,
  • rapidez da aplicação, com uso de equipamentos mecânicos adequados.

Desvantagens da poliuréia

  • Rigor elevado no preparo do substrato, quanto a textura e limpeza,
  • Exigência e garantia de excelente secagem do substrato,
  • Custo elevado dos equipamentos de aplicação, com necessidade de precisão no controle constante da umidade, temperatura e pressão, que também requer MDO especializada,
  • Restrição de aplicação com ventos constantes, chuvas intermitentes e temperatura do substrato acima de 45°C,
  • Instabilidade de tonalidade e reparo difícil,
  • Imprescindível o treinamento vigoroso da mão de obra, que deve ser muito especializada.

 

Equipamentos

Exemplos de máquinas para aplicação do tipo “hot spray”:

fonte: Internet

 

Exemplos de máquinas para aplicação em baixa pressão:

fonte: Internet

 

Recomendações para uso da poliuréia

Antes de tudo, é preciso contratar um projetista de impermeabilização. É ele quem deve escolher o melhor sistema a cada área a ser impermeabilizada, analisando e criando procedimentos que evitem o retrabalho e minimizem as patologias.

Além disso, temos ainda as recomendações da norma regulamentadora de Segurança do Trabalho para atividades de impermeabilização,  a NR-18, onde os aplicadores não podem dispensar o uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) como: botas, luvas (de raspa de couro, de PVC ou borracha), óculos de segurança, capacete, máscara de proteção e uniforme com calça e mangas compridas, aplicáveis a cada situação do sistema de impermeabilização a ser instalado.

As recomendações que faço em meus projetos e consultorias são, preferencialmente, para aplicação da membrana de poliuréia em áreas nas quais:

  • não existe cota para uma regularização;
  • sem a necessidade ou a possibilidade de execução de uma proteção mecânica;
  • estando exposta, se tenha a exigência de resistência à abrasão;
  • o local esteja sujeito a ataques de produtos químicos (sempre com a avaliação prévia da composição dos potenciais elementos agressivos e variação de temperatura);
  • seja necessária uma rápida liberação ao uso daquela área específica tratada.

Ou seja, temos uma infinidade de áreas onde se pode aplicar a membrana de poliuréia, mas é imprescindível a um consultor a plena consciência de dizer o que é mais adequado a cada necessidade. Além disso, às vezes é preciso dizer não à expectativa do consumidor, evitando o uso indiscriminado deste tipo de impermeabilização.

Como a intenção desta série de artigos é de ser interativa, seguem as minhas propostas à discussão do tema, para as quais conto com seus comentários:

  • Você já usou a Poliuréia?
  • O que você acha deste tipo de impermeabilização?
  • Como foi sua experiência?

Deixe sua opinião nos comentários!

Grande abraço! MS.

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Professor na pós-graduação lato-sensu, nos cursos de patologia nas obras civis e de patologia na Impermeabilização, desde 2006, em diversas cidades do Brasil. Autor do livro "Látex Estireno Butadieno - Aplicação em Concretos de Cimento e Polímeros" Atuante desde 1978, com o conhecimento construído em atividades técnicas na criação, desenvolvimento e normalização de produtos ao mercado e de gestão em consultoria na área de tecnologia de impermeabilização de edificações residenciais, comerciais, industriais e de saneamento, proteção às estruturas de concreto e atenuação ao ruído de impacto entre lajes, elaborando projetos, procedimentos executivos, treinamentos “in company”, fiscalização de obras, objetivando dirimir dúvidas e possibilitando a implantação dos conteúdos dos projetos e normalizações, sempre com o alto padrão de excelência. Palestrante com mais de 60 trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais com inúmeros artigos técnicos e matérias publicadas sobre proteção às estruturas, impermeabilização e isolação acústica, bem como atuante em comissões de estudo da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, CB 2 - Construção Civil; CB 22 – Impermeabilização e CB 90 – Qualificação de pessoas.

5 COMENTÁRIOS

  1. Respostas às perguntas apresentadas no final do artigo:
    1 – Nunca cheguei a usar.
    2 – Acho bastante eficiente e de aplicação inteligente, no entanto, a necessidade dos equipamentos faz com que este sistema, geralmente seja viável em grandes áreas, tornando-se inapropriado para as pequenas, inclusive pelo custo.
    3 – N/A.

  2. Há bastante tempo, acompanhei execução de impermeabilização com poliuréia
    Acredito que o sistema seja promissor, mas na obra que acompanhei não tivemos bom resultado.
    Não tinhamos uma boa referência sobre a produção do material (parece que aproveitava rejeitos de algum processo industrial), o endurecimento demorava muito a acontecer, em alguns locais depois de uma semana o material ainda se apresentava como uma “gosma”.

  3. Não usei nem especifiquei a poliureia. Acho que este é um material para ser usado em obras especiais e não nas residenciais face a dificuldade de aplicação Infelizmente o mercado está usando a poluireia inadequadamente e com isto “queimando” o produto. Como foi alertado acima este sistema precisa de uma preparação de superfície adequada e requer uma grande preocupação com segurança do trabalhador e das áreas adjacentes

  4. Olá Marcos,
    Poderia me dizer se a aplicação de poliuréia é viável para revestimento de piscinas residenciais?
    Conheci este material nos Estados Unidos, mas moro atualmente em Nova Friburgo/RJ.
    Grata

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