Olá, colegas!

Inicialmente, gostaria de agradecer à equipe da ConstruLIGA pelo convite e me apresentar:

Sou Marco Guerra, Engenheiro Civil e Mestre em Habitação pelo IPT-SP, consultor em Sistemas de Gestão pelo CTE, professor convidado do curso de Mestrado do IPT e de pós-graduação no Mackenzie, auditor lead assessor nas normas ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001, autor de livro sobre Sistema de Gestão Integrada publicado pela editora Pini (2010), e recentemente, co-autor do 2º capítulo do Livro de Materiais de Construção Civil do IBRACON (3ª Edição, 2017), onde foi abordado o tema “Qualidade e Desempenho na Construção de Edificações Habitacionais”.

Tenho um imenso prazer em colaborar com o Blog da ConstruLIGA e neste meu primeiro artigo gostaria de compartilhar algumas das lições aprendidas dos projetos de consultoria que conduzi para atualização dos Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ) em Incorporadoras e Construtoras em relação às novas normas (NBR ISO 9001:2015 e Regimento do SiAC do PBQP-H:2017), cujo prazo de transição está se encerrando.

Dessa forma, gostaria de compartilhar com vocês algumas impressões sobre esses projetos concluídos e também de outros que estão em andamento, destacando as dificuldades percebidas, pontos positivos e benefícios gerados para as empresas e seus stakeholders (partes interessadas) com a implementação da nova versão da ISO 9001, considerada uma norma de gestão moderna, e com a atualização do PBQP-H, que exige que o SGQ mantenha evidências do atendimento da NBR 15575:2013, a norma de desempenho para habitação. Assim, compartilho a seguir alguns pontos relevantes de meu aprendizado nesses projetos:

  • A capacitação das lideranças, Coordenação da Qualidade e Diretoria sobre os novos requisitos da ISO 9001 foram fundamentais no estabelecimento das ações para abordar riscos e oportunidades nos processos de negócio da empresa. Assim, elas foram propostas de forma aderente a sua cultura organizacional, alinhada com sua estratégia, onde foram consideradas as expectativas de seus clientes e stakeholders;
  • A capacitação da equipe técnica sobre as exigências da norma de desempenho foi um ponto crítico observado nas empresas, o que demandou a contratação de cursos e formação de grupos de estudo ao longo do projeto e também, em alguns casos, de consultoria específica para apoio no desenvolvimento dos projetos.
  • A consulta e participação dos colaboradores no processo de identificação de riscos e oportunidades foram importantes para o entendimento de suas expectativas e necessidades. Assim, algumas ações implementadas ajudaram a controlar melhor as incertezas que impactam no resultado e na eficácia de seu trabalho, como ajudou a otimizar rotinas e a eliminar fontes de desperdício que traziam prejuízos para a produtividade da empresa.
    Como exemplo, cito a simples mudança de especificação de um material produzido na obra por similar industrializado, eliminando assim todas as incertezas envolvidas na dosagem e preparo desse material por um que está pronto para o uso. Outro exemplo foi a introdução de controles que melhoraram a distribuição dos materiais para a produção, ajudando na identificação de perdas e na mitigação do desperdício de materiais nessa logística;
  • A maioria (quase a totalidade) das ações para abordar riscos e oportunidades adotadas não resultou em aumento de custos para a empresa com a implementação dos novos controles e sim ajudou a combater desperdícios, atuando tanto na forma de fazer, de contratar, de planejar e de controlar a produção;
  • O exercício de reflexão sobre o contexto externo e interno da empresa, o qual em muitas organizações é realizado somente no nível da Alta Direção (maior foco nos riscos e oportunidades estratégicos), quando realizado também pelos líderes e gestores de cada processo, se torna uma potente ferramenta gerencial que auxilia tanto na identificação de ameaças e fraquezas, e de oportunidades e vantagens competitivas no âmbito do processo (foco no tático e operacional), como promove a análise crítica das mesmas e o estabelecimento de ações para abordá-los.
  • As falhas de produtividade são melhores percebidas, identificadas e tratadas pela empresa com a nova mentalidade de risco introduzida pela nova versão da norma ISO 9001;
  • O Perfil de Desempenho de Edificação (PDE), que causou grande apreensão nas empresas, trata-se de um simples registro onde são definidos os níveis de desempenho da edificação para cada requisito do usuário e que irão nortear o desenvolvimento dos projetos, ou seja, quais parâmetros da NBR 15575 deverão ser adotado pelos projetistas ao longo de seus trabalhos.
    Entretanto, o planejamento para atendimento da NBR 15575, com a adoção de modelo (roteiro) que contempla as principais exigências, ensaios e evidências documentais, facilita a organização e rápida disponibilização dessas informações, bem como o controle e gestão desse processo.
  • O Plano de Controle Tecnológico, apesar de contemplar uma extensa relação de ensaios citados na norma de desempenho, não significa que os mesmos deverão ser feitos nas obras da empresa, tendo em vista que fornecedores, associações e programas setoriais de qualidade (PSQ) já estão realizando e disponibilizando ensaios de caracterização de sistemas, como por exemplo, cito o Manual de Blocos de concreto da ABCP.
  • O consultor tem um papel importante de facilitador na atualização do SGQ. O seu conhecimento em gestão, seu know-how e sua visão sobre os processos de negócio da empresa ajudam a conduzir as discussões sobre os pontos críticos dos processos e sobre os riscos e oportunidades percebidos. Ele também promove o benchmarking dessa análise com as práticas de mercado, como por exemplo, apresentando situações reais de falhas ocorridas em outros projetos que podem representar um risco para a empresa, como oportunidades que podem ser implementadas, criando valor para os processos e para o resultado do negócio.

Concluindo, espero que tenha gostado deste pequeno artigo e que ele tenha ajudado a promover um maior entendimento do tema e sobre alguns benefícios que advêm com implantação da nova ISO 9001:2015 e do novo Regimento do SiAC do PBQP-H:2017, encorajando empresas e profissionais desse setor a divulgar o tema e a iniciar a adoção e abordagem dessas normas em seus negócios, promovendo assim melhorias, tanto na gestão das empresas, necessárias para superar este momento de crise, como para os stakeholders.

Este é o primeiro de uma série de artigos que irei publicar mensalmente no Blog da Construliga, onde irei abordar lições aprendidas nos projetos de consultoria que atuo, como também irei explicar melhor conceitos e exigências dessas normas de referência, visando compartilhar com vocês os riscos que podem impactar nesses tipos de projetos, os cuidados na gestão de mudanças, bem como as oportunidades percebidas que podem ser aproveitadas por todos.

Se você gostou deste artigo e se ele foi útil ao seu negócio ou no desenvolvimento de suas competências, agradeceria que o compartilhasse com seus contatos e nos siga aqui no blog para receber mais informações e publicações.

Se houver algum tema ou dúvida que gostaria que eu abordasse nos próximos artigos, peço a gentileza que o envie para meu e-mail (mguerra@cte.com.br).

Muito obrigado pela atenção e um grande abraço!

Marco Guerra

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Marco Aurélio Guerra construiu sua carreira dedicando-se a ajudar empresas a melhorar seus resultados, a mitigar seus riscos e a capacitar seus colaboradores, contribuindo na construção e na implementação de soluções práticas em projetos de consultoria. Engenheiro Civil e Mestre em Habitação na área de Tecnologia em Construção de Edifícios com especialização em Administração de Empresas e em Engenharia de Segurança do Trabalho. Auditor Lead Assessor nas normas ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001. Capacitação em Gerenciamento de Projeto, em Gestão de Riscos (ISO 31000) e na Norma de Desempenho (NBR 15575). De 1999 a 2006 atuou em construtoras, adquirindo experiência no gerenciamento de obras de edificações e na coordenação de SGQ. De Nov/2006 a Jun/2012, e atualmente, desde Jun/2014, atua como consultor associado no CTE, na coordenação de projetos de consultoria relacionados à implantação e melhoria de sistema de gestão da qualidade, ambiental, segurança e saúde ocupacional e à avaliação técnica da qualidade das obras. Entre jul/2012 a Mai/2014 atuou como Gerente de Produção em Incorporadora. Professor convidado nos cursos de Mestrado Profissional do IPT e de pós-graduação de “Gerenciamento de Empreendimentos na Construção Civil” do Mackenzie. Autor do livro “Sistema de Gestão Integrada (SGI) em construtoras de edifícios – Como planejar e implantar um SGI” (PINI, 2010), onde foram abordados conceitos e soluções práticas relacionadas à gestão da qualidade, da produtividade, ambiental, da saúde e segurança no trabalho, da responsabilidade social e da inovação. Co-autor do 2º capítulo do Livro de Materiais de Construção Civil do IBRACON (3ª Edição, 2017), onde foi abordado o tema Qualidade e Desempenho na Construção de edificações habitacionais. Palestrante no Construtech 2011 – Seminário sobre “Orçamento, Coordenação de Projetos e Planejamento de Obras” e em evento sobre “Gestão Integrada na Construção: Qualidade, Segurança e Meio Ambiente” (CTE, 2009).

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