Há alguns anos vemos chamadas comerciais para inúmeros e diferentes produtos de impermeabilização com o nome de “manta líquida”.

É complicado explicar, de forma simples, que não existe solução mágica de impermeabilização para tudo. As promessas de resolver desde unha encravada até infarto do miocárdio estão em muitos apelos de venda, ainda mais quando não mostram que seguem as normas técnicas que devem disciplinar o uso dos produtos.

Vamos ao básico, que é checar a definição que existe à nossa disposição, sobre este nome. No dicionário Aurélio ou no site Wikipédia, não existe o termo “manta líquida”, mas temos para “manta”:

Cobertor, coberta, colcha, pano que se põe por baixo do selim, manta de retalhos, manta de toucinho, entre outras…

Pois é, então vamos onde existe esta definição em relação à impermeabilização, que é na norma ABNT NBR 9575 (e tem gente não gosta das normas!). Esta é a definição de “Manta para Impermeabilização”:

produto impermeável, pré-fabricado, obtido por processos industriais, tais como calandragem ou extensão

Explicando: Manta para impermeabilização é um produto que passa por um processo de pré-fabricação, ou seja, não é líquida.

Certamente quem fabrica ou presta serviços na área de impermeabilização não se pode dar o conforto de desconhecer as definições da norma ABNT NBR 9575.

Será que temos um conflito de interesses entre usar de tudo para vender com a realidade dos fatos? Será que nas embalagens dos produtos existem os dados e informações técnicas que amparem o consumidor para que ele, como leigo no assunto impermeabilização, não compre gato por lebre?

Solução mágica

Eu pensei e conversei com várias pessoas para entender o porque do uso deste termo “manta líquida” para um produto que não é pré-fabricado e cheguei à seguinte conclusão: As mantas pré-fabricadas transmitem uma segurança a quem compra, pelo princípio de que elas passam por controles de qualidade que comprovam o atendimento das normas técnicas e que fez deste produto, entre eles a manta asfáltica, ser uma referência para obras novas e em reformas, nos mais diversos tipos de construção.

Entretanto, esta tecnologia vêm sempre com o apelo (negativo, no caso) de que é necessária uma mão de obra treinada para aplicação, já que precisa ser colada ao substrato com uso de asfalto a quente ou com auxílio de maçarico a gás (GLP).

Bingo! Temos um produto líquido com o apelo positivo de que não é necessária uma mão de obra especializada e de vai resolver o meu problema custando pouco ou quase nada, pois qualquer pessoa pode fazer sua aplicação! Para que vou me preocupar com o que está ou não escrito nas embalagens?!

Acho que deve se preocupar sim. Gaste um tempinho para ler, com paciência, o que está nas embalagens dos produtos, pois vai encontrar muitos termos superlativos como “excelente cobertura”, “alto poder de alongamento”, “alta resistência as intempéries”, “secagem ultrarrápida e sem emendas”, que tem “elevada estanqueidade à água”…

Tudo muito bonito, mas não temos parâmetros para os termos usados! Onde estão os resultados que comprovem através de testes os desempenhos alegados?

Em alguns casos vamos encontrar a citação de que a “manta líquida” atende a norma ABNT NBR 13321, que é para membranas acrílicas, o que nos chama para a referência à seguinte definição na mesma norma já citada, a ABNT NBR 9575, de “membrana para impermeabilização”

“Camada de impermeabilização moldada no local com características de flexibilidade e com espessura compatível para suportar  as movimentações do substrato, podendo ser estruturada ou não”.

 

Eureka! Toda “manta líquida” é uma membrana para impermeabilização! Ou, ao menos, deveria ser…

 

Atende ou não atende?

Para facilitar o entendimento de todos, vamos focar nos produtos de base acrílica que devem atender a ABNT NBR 13321, onde estão as exigências quanto ao desempenho (com uso ou não de reforço/estruturante), bem como as condições de aplicação.

Para deixar mais claro, segue o que é previsto para este tipo de impermeabilização, logo na primeira página da Norma:

1 Escopo da ABNT NBR 13321

1.1 Esta Norma fixa as condições mínimas exigíveis para membrana acrílica monocomponente à base de polímeros acrílicos termoplásticos em dispersão aquosa, destinada a impermeabilizar as superfícies que devem ficar expostas às intempéries, sobre as quais é limitado o trânsito para manutenção eventual.

1.2 Esta Norma não se aplica à utilização de membrana acrílica em lajes com proteção mecânica ou em qualquer tipo de piso de acabamento, bem como em lajes sujeitas ao trânsito de pessoas ou veículos de qualquer natureza.

Entre o que a ABNT NBR 13321 exige como requisitos de desempenho mínimo para membrana acrílica sem armadura e aquilo que os fabricantes declaram em seus informativos ou boletins técnicos, temos uma enorme distância. Para este fim, apresento uma tabela comparativa com apenas quatro produtos que se encontra facilmente em lojas de varejo da construção civil.

Não é discriminação, mas pesquisando na Internet, encontrei mais de 10 produtos com o apelo comercial de “manta líquida”, e ainda por cima que podem ser feitos com diferentes matérias primas, entre elas, asfálticas, poliuretano, resinas sintéticas. Existem em diversas cores, que aceitam o assentamento direto de revestimento sobre a mesma, que podem ser aplicadas em áreas molhadas, em lajes expostas ou não, que tem elevada estanqueidade à água. Ufa!

Tabela comparativa de desempenho de acordo com a ABNT NBR 13321, sem uso de estruturante, para produtos de base acrílica.

Requisitos da ABNT NBR 13321 Unidade Parâmetros Produto A Produto B Produto C Produto D
Resistência à tração na ruptura- mínimo MPa 1,5 Vide obs.* Nada informa se atende a norma Nada informa se atende a norma Nada informa se atende a norma
Alongamento na ruptura-mínimo % 100 Vide obs.* Idem acima Idem acima Idem acima
Absorção de água-máximo % 15 Vide obs.* Idem acima Idem acima Idem acima
Envelhecimento por intemperismo artificial Sem alterações Vide obs.* Idem acima Idem acima Idem acima
Alongamento na ruptura após envelhecimento-mínimo % 100 Vide obs.* Idem acima Idem acima Idem acima
Flexibilidade a baixa temperatura após o envelhecimento (5°C) °C Sem fissuras Vide obs.* Idem acima Idem acima Idem acima

Obs.* O fabricante A, já comete um equívoco em citar a ABNT NBR 13321, pois esta norma não reconhece o termo “manta líquida” e também não mostra os resultados de desempenho do seu produto.

E agora?

Basta de se jogar dinheiro e tempo fora só porque se parte da premissa de quem compra deve saber o que está fazendo. Será?

Enfim, o que queremos é explicar e não confundir. Para isto acontecer é necessário que as informações ou indicações para aplicação de um tipo de impermeabilização sejam claras e objetivas. E só temos uma maneira, que é disciplinar esta atividade, criando ou revisando normas técnicas.

Uma oferta legítima de soluções de impermeabilização é pertinente para todas as necessidades. Afinal não é o tamanho da área impermeabilizada e sim a importância da garantia de estanqueidade, desde um pequeno local em uma residência modesta até a mais sofisticada cobertura. Todos querem a mesma coisa. Sossego e certeza de que não será incomodado com as consequências, sempre danosas, da presença ou passagem de água pela sua construção.

Como a intenção desta série de artigos é de ser interativa, seguem as minhas propostas à discussão do tema, para as quais conto com seus comentários.

  • Você já usou as chamadas “mantas líquidas”?
  • Como foi sua experiência?
  • O que você acha deste tipo de impermeabilização?
  • Você compraria sem ter exemplos conhecidos de aplicação?
  • Você lê todas as informações das embalagens antes de comprar um produto deste tipo?

Normas citadas.

ABNT NBR 9575:2010 – Impermeabilização – Seleção e projeto. Confirmada em 16.06.2015

ABNT NBR 13321:2008 – Membrana acrílica para impermeabilização

Eng. Civil MSc Marcos Storte, Diretor técnico da A2S Engenharia e Perícias

marcos.storte@a2sconsultoria.com.br –  www.a2s.consultoria.com.br

 

 

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Professor na pós-graduação lato-sensu, nos cursos de patologia nas obras civis e de patologia na Impermeabilização, desde 2006, em diversas cidades do Brasil. Autor do livro "Látex Estireno Butadieno - Aplicação em Concretos de Cimento e Polímeros" Atuante desde 1978, com o conhecimento construído em atividades técnicas na criação, desenvolvimento e normalização de produtos ao mercado e de gestão em consultoria na área de tecnologia de impermeabilização de edificações residenciais, comerciais, industriais e de saneamento, proteção às estruturas de concreto e atenuação ao ruído de impacto entre lajes, elaborando projetos, procedimentos executivos, treinamentos “in company”, fiscalização de obras, objetivando dirimir dúvidas e possibilitando a implantação dos conteúdos dos projetos e normalizações, sempre com o alto padrão de excelência. Palestrante com mais de 60 trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais com inúmeros artigos técnicos e matérias publicadas sobre proteção às estruturas, impermeabilização e isolação acústica, bem como atuante em comissões de estudo da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, CB 2 - Construção Civil; CB 22 – Impermeabilização e CB 90 – Qualificação de pessoas.

16 COMENTÁRIOS

  1. Caro Marcos.
    Conheci o termo “ manta líquida “ durante o tempo em que trabalhei em Portugal UE.
    Isso por volta dos anos 2001 a 2003 .
    Na época,como conheia apenas a manta asfáltica, questionei o Eng e o Mestre de obras ,sobre a eficiência da tal membrana emborrachada (manta líquida) em relação a manta asfáltica.
    Segue resposta!
    Durante muitos anos,A Europa inteira utilizou manta asfáltica, com bons resultados iniciais, ao longo do tempo, percebeu-se,que a manta asfáltica,perdia propriedades químicas e a capacidade de flexibilidade,principalmente em países cujas mudanças de temperatura, eram muitas vezes repentinas e bruscas.
    Ou seja,principalmente no inverno a manta asfáltica, enrrigecia e havendo algum tipo de dilatação ou qualquer outra forma de movimentação,essa (manta asfáltica) sofreria ruptura.
    Mesmo com a elevação da temperatura,essa manta não voltaria a se fundir, ocasionando informações.
    Na época eu trabalhava para um empreiteiro de nome João Batalha, e como especialista em revestimentos em piscina trabalhei em duas grandes obras da empresa Engil, hoje Mota-Engil .
    Uma obra ficava no Picoas Plazza ,em Picoas,muito próxima ao Marquês de Pombal!
    E essa piscina, com aproximadamente 1.800 metros quadrados,havia sido feita com manta asfáltica.
    A outra em um prédio no parque de exposições da Expo 98
    Com duas piscinas de aproximadamente 200 metros quadrados.
    Também com manta asfáltica.
    Pude acompanhar também outras coisas. Membrana emborrachada e sinceramente, hoje eu confio muito mais na membrana emborrachada, por muitos fatores,que na manta asfáltica!
    No Facebook ladrilhos Fernandes
    Temos algumas piscinas com manta asfáltica e outras com membrana emborrachada!
    Minha modesta opinião!
    Prefiro a emborrachada!
    Obs. Não represento nenhuma marca desse produto!
    Att. Ivori Fernandes

    • Prezado Ivori Antes de tudo grato por sua contribuição e tenho a comentar o que segue:
      Conforme disposto no texto, precisamos que sejam informados os parâmetros técnicos dos produtos moldados “in loco”, que são membranas aderidas ao substrato. Acrescento a necessidade de indicações da norma técnica que o produto atende, de uso, quais locais, preparação de substrato, condições climáticas para aplicação correta, tudo isto claramente identificado nas respectivas fichas técnicas.
      Reitero que não existe impermeabilização ruim e sim a adequada às necessidades de cada obra. O que não podemos ter é o uso indiscriminado de um tipo de impermeabilização para resolver todos as situações.

  2. Bom dia.
    Meu nome é Jeorge Frances. Deixa eu dar meu pitaco??? Com 20 anos de formado eu digo que já fui contratado para corrigir patologias dos dois tipos de impermeabilização mas a manta apresenta mais patologias que as membranas. Na maioria das vezes a patologia estava associada à má aplicação, mas houveram casos da manta estar completamente ressecada e craquelada abaixo da proteção mecânica. No fim, percebi que ocorre de forma generalizada uma queda na qualidade dos produtos, resultado de um mercado agressivo (baixa a qualidade, para baixar o custo, pra vender barato, pra vender mais que o concorrrente). As membranas eu considero uma boa opção quando avaliadas as características do ambiente, substrato e solicitações de uso. Mas eu restrinjo minha escolha à poucos fornecedores que eu levei anos pra avaliar seu desempenho. Ensaios… ensaios… em catálogos técnicos??? Nenhuma é absolutamente clara, até mesmo porque seria como bula de remédio… se escrever todas as variáveis que podem influenciar no desempenho do produto… você não compra! Dá mais medo que segurança. Então eu tenho à 20 anos uma laje de testes onde aplico os produtos novos que surgem e avalio por 2 anos. Mas tem muitas empresas “fundo de quintal” lançando “mantas líquidas”. Estas eu nem passo na porta. Então como a responsabilidade é minha, tomo meus cuidados técnicos com rigor. Agora… sobre o que fala a norma… ou a omissão da norma… sabemos duas coisas: 1) norma não obriga, não exige. O profissional tem a discricionariedade legal de tomar a decisão dele e arcar com as consequências. 2) Norma não vem antes do produto. Então surgem os produtos… o mercado aceita… a norma registra e busca uma forma de regular a relação técnica com a demanda comercial. Abraço a todos.

    • Prezado Jeorge
      Grato por sua contribuição e o objetivo desta matéria é de alertar o público em geral de que existe uma forma de ter uma “garantia” de qualidade implícita, que é a de os produtos seguirem normas técnicas.
      Lembro que o atendimento às normas técnicas é imposto nas relações de consumo pelo disposto no seu artigo 39, inciso VIII do Código de Defesa do Consumidor, que abaixo transcrevo:
      “É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas, colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes, ou, se normas específicas não existirem, pela ABNT (Associação Brasileira de
      Normas Técnicas) ou outra entidade credenciada pelo Conmetro (Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial)”.
      Além do CDC, o uso das normas técnicas também é obrigatório por interpretação do disposto nos artigos 615 e 616 do Código Civil.
      Em tempo, para o caso das membranas acrílicas, temos norma técnica, conforme citado no artigo.
      Att.

  3. Como profissional na área há 32 anos, concordo plenamente com o Sr. Marcos.
    Não existe “manta líquida” e sim membranas moldadas in-loco.
    Vale alertar aos consumidores leigos, que tal sistema é limitado a pequenas áreas planas e, principalmente, utilizado em lajes abobodadas, cúpulas e lajes de grande inclinação, onde ficam expostas ao tempo, ou seja, sem proteção mecânica.
    Infelizmente, certos fabricantes de impermeabilizantes se aproveitam da ignorância do consumidor iludindo-os e fazendo com que nosso setor seja desacreditado e desvirtuado.
    Cabe a ação das autoridades competentes, inibir e penalizar todos esses fabricantes inescrupulosos.

  4. Sou engenheiro. Empresário. Tenho 15 anos de experiência nessa área, portanto vão algumas considerações;

    A começar pelo título: Realidade ou fantasia?
    É óbvio que é uma realidade.
    Tal produto, citado comercialmente e chamado vulgarmente de “manta líquida” existe no mercado, de inúmeros fabricantes e modelos, há muito tempo, tem inúmeras aplicabilidades, foi imensamente testado, tem normas internacionais e nacionais, além de uma imensa base de artigos, fornecedores e aplicadores certificados e que comprovam sua eficácia.

    Antes de nos matarmos acerca do termo “manta líquida” ser incorreto, SIM, é incorreto, é um termo comercial, coloquial, assim como chamamos palha de aço de Bombril e sabão em pó de Omo, são termos incorretos, mas que expressam perfeitamente o sentido, numa conversa informal podem ser perfeitamente utilizados, e qual o problema nisso?

    Se quisermos aprofundar na NBR 9575, ela deixa claro que mantas são produtos oriundos da calandragem, e nesse caso na mesma NBR, estamos falando de membranas.

    Aí vem a principal questão, mantas afálticas pré fabricadas, moldadas no local à quente, semi aderidas, são COMPLETAMENTE DISFERENTES de membranas moldadas in loco à frio, aderidas. Não pretendo me aprofundar nas diferenciações e exigências de cada um desses sistemas, mas aviso que as exigências pré impermeabilização, o método de aplicação, etapas posteriores, aplicabilidade e limitantes são COMPLETAMENTE DIFERENTES. Não cabe analisarmos qual é melhor e qual é pior, mais barato ou mais rápido, isso depende de caso à caso, e posso afirmar com certeza que existem muitos casos onde uma “manta líquida” é muito mais confiável e plausível tecnicamente do que uma manta asfáltica”
    Porém, no início dos anos 2000, tivemos uma inundação no mercado nacional de “n” empresas fabricando “algo líquido”, geralmente de base acrílica emulsionada em água, que era vendido como uma impermeabilização, colocaram o nome de manta líquida e inúmeros concorrentes vieram na onda. Chegou a ficar insuportável, qualquer loja de material de construção ou FEICON da vida estava entupida de manta líquidas.

    Naquele instante, como era uma novidade, pouco sabíamos sobre sua aplicabilidade, sua limitações e ficávamos maravilhados com as promessas dos fabricantes. SENDO QUE MUITOS DELES traziam produtos sem muitos testes, e a própria ABNT estava ainda engatinhando em como lidar com essa novidade, e quais normatizações alterar, modificar ou incluir, e o quê exigir dos fabricantes e aplicadores.

    Porém, não devemos pré julgar um produto só por causa disso, grandes ideias nascem de decisões inéditas e corajosas, e logicamente vão se detectando falhas, limitações e vão sendo feitas melhorias.

    Há décadas atrás, quando a Toro (fabricante automotivo) teve a ideia de se juntar a Bidim (fabricante de tecidos) e criar uma impermeabilização asfáltica modificada, dopada, pré moldada e calandrada, ToroDim (com D maiúsculo e m no final), todo mundo torceu o nariz, não queriam abandonar o processo de asfalto pré moldado in loco e estruturado, por algo pronto, revolucionário e que carecia de testes.
    Porém logo a manta Torodin mostrou inúmeras qualidades e aplicabilidades, caiu no gosto do mercado e existe até hoje, como denominação da alta gama para as mantas asfálticas da gigante Viapol, da Euclid Group.

    Hoje a manta asfáltica é ainda referência quando pensamos em impermeabilização, pelo menos aqui no Brasil.
    Faça um teste, entre no site da Sika Internacional e procure por manta asfálticas?
    Não tem! Mantas lá são de PVC e TPO, coisa fina, que não são pro nosso bico, aqui custam um rim!

    Embora a manta asfáltica seja maravilhosa, limitações como o comportamento térmico ruim, péssimo comportamento quando exposta ao fogo, tendência de perder flexibilidade à frio, oxidação, deterioração acelerada à UV, somada ao processo não tão sustentável de obtenção de matéria prima, e da segurança e saúde do trabalhador, quanto ao calor, ergonomia de carregar um rolão pesando 50 kg no lombo, e à própria aplicação com GLP, fogo e VOCs, já praticamente matou a manta asfáltica na Europa toda, e vêm se disseminando para os EUA e Canadá (e olha que os canadenses amam mantas asfálticas ardosiadas)!

    Aí que entram as membranas líquidas, não são concorrentes diretas da manta asfáltica, e sim um produto que veio à preencher outro nicho, e em certas situações poder concorrer com as mantas asfálticas ou até substituí-las, nada na base do achismo, ou de promessas milagrosas, e sim com muito estudo, teoria, testes, artigos, evoluções e pesquisas.

    Sobre alguns pontos do texto, julgo importante refutar algumas afirmações incorretas, ou inverídicas:

    1.
    “As mantas pré-fabricadas transmitem uma segurança a quem compra, pelo princípio de que elas passam por controles de qualidade que comprovam o atendimento das normas técnicas e que fez deste produto, entre eles a manta asfáltica, ser uma referência para obras novas e em reformas, nos mais diversos tipos de construção.”

    Segurança é relativo, mantas asfálticas têm um terrível calcanhar de Aquiles, que são as emendas, portanto qualquer emenda ou solda de manta tem probabilidade muito elevada de ser insegura, portanto sem nexo essa falsa segurança.

    Mantas tem controle de qualidade, SIM, tem normas, SIM. Membranas também têm! NBR 13321 e a nova NBR 15885 tão aí! Pra pôr ordem no galinheiro. Passam por testes assim como as mantas asfálticas. Não são melecas feitas num fundo de quintal qualquer!

  5. …continuação

    2.
    “Entretanto, esta tecnologia vêm sempre com o apelo (negativo, no caso) de que é necessária uma mão de obra treinada para aplicação”

    Minha empresa é especializada na aplicação de impermeabilização, obviamente tenho mão de obra qualificada e treinada! E cobro por isso, NR 33, NR 35, ASOs, e impostos custam caro! Toda Impermeabilização deve ter projeto, especificação, e aplicação de produtos normalizados, testados e mão de obra qualificada (NBR 9574 e 9575). Porém se o cliente quiser levar uma meleca milagrosa comprada numa casa de material de construção qualquer, pagando o mínimo possível, e passar como impermeabilização, sem consultar engenheiros ou especialistas, ou ter o serviço inteiro feito por empresa qualificada feito a minha, a culpa é dele!

    3.
    “Atende ou não atende?”

    Creio que a pesquisa foi rasa.
    Primeiro, saibamos separar membranas acrílicas com cimento, sem cimento e de poliuretano, tem aplicações diferentes, e normas diferentes para cada uma delas. O termo vulgar “manta líquida” é aplicado apenas às MAsC (membranas acrílicas sem cimento)

    Infelizmente existem muito fornecedores sacanas, por isso que falei CONTRATEM UMA EMPRESA ESPECIALIZADA, ao invés de querer economizar em tudo e falar que o serviço de especificação ou aplicação de impermeabilização é caro.

    Agora essa tabelinha com informações faltantes, realmente a grande maioria de fornecedores, até uns grandes como a Viapol, Webber, Denver ou Vedacit são totalmente omissas quanto às características técnicas. A Sika depois que tomou muito no lombo, aprendeu, passou por reformulação, trocou nome (dos produtos que queimou) e está agora recolhendo seus gatos e tentando fazer lebres aptas a encarar este mercado.
    Não querendo fazer propaganda, mas se quiser completar sua tabelinha com os dados, com um produto acrílico decente:

    http://www.imperplus.com.br/pdf/Icobit%20-%20Linha%20ICOPER.pdf

    Verá que uma membrana acrílica, vulgo “manta líquida” pode ter elevada qualidade, ser testada e normalizada com confiabilidade (segundo e ISSO, EOTA, UNI), que até superam a NBR 13321 (que é bem pífia, passa direto por revisão e está sendo afogada pela NBR 15885).

    Portanto, antes de julgar algo, é bom que tomemos conhecimento que existem produtos bons e capacitados. Engenheiros e especificadores, devem aprender a conhecer novas tendências, e produtos e aplicabilidades e passem aos seus clientes a REALIDADE.

    E você consumidor, por favor, se quiser algo barato, vai ter, porém será uma porcaria. Não reclame disso depois!

  6. Prezado Thiago
    Grato por sua extensa contribuição e certamente o caminho de uma impermeabilização é com o tripé: projeto; mão de obra qualificada; produto adequado. Entretanto cabe aos que militam no meio técnico (e lá se vão meus mais de 35 anos na área) esclarecer, alertar, contribuir com informações aos que desejam uma solução ao seu problema de infiltração, lembrando que o CDC foi criado com este objetivo, o de proteger o hipossuficiente, como um consumidor, que compra um produto de impermeabilização.
    Reitero que quem domina o assunto, fabricando, revendendo ou prestando serviços faz parte desta cadeia de responsabilidades e que no caso citado na matéria sobre as membranas acrílicas, deixam de fazer.

  7. O que como consumidor tenho ouvido falar é que as mantas asfálticas pré fabricadas tem uma vida útil restrita a dez anos. Ora se a garantia é de uma vida curta, então em uma impermeabilização com piso de sacrifício a discussão sobre os dois tipos de manta é inócua uma vez que ambas nada garantem. Só dizem: um dia eu vou falhar.

  8. Prezado Renato
    Certamente esta leitura é muito simplista, porque tanto as mantas asfálticas quanto produtos moldados “in loco” podem ter uma expectativa de vida útil maior do que 10 anos. Um bom parâmetro para isto a NBR 15575, onde dependendo do local, uso e condições de pós obra temos exigências, no nível mínimo, de 4 anos, 8 anos e de 20 anos e onde também temos as opções de nível intermediário e superior chegando a mais de 30 anos de VUP.
    Lembro que não existe impermeabilização ruim e sim uma impermeabilização adequada à cada necessidade.

  9. Tudo é uma questão de preço. Grandes fabricantes tem em catálogo mantas asfálticas sem normatização , vendidas por peão com qualidade ruim porém batatinhas.
    Manda líquida precisa ser aplicada segundo as normas dos fabricantes. Mas, vendida com O solução rápida e barata vai fazendo vítimas entre os consumidores.
    O Brasil tem por regra a não atenção as normas técnicas dos produtos.
    Aplicadores sem conhecimento trabalham vendendo a falsa ilusão de serviço limpo e barato. E se der problemas pós aplicação o consumidor que vá reclamar com o bispo.
    País pobre com pouca informar e muita propaganda transforma qualquer solução barata em redenção para todas as mazelas em obras.
    O consumidor regula o mercado. O mercado acompanha o bolso do consumidor. E diante disso os produtos milagrosos pipocam aos montes e as obras são feitas e refeitas à exaustão até o dia em que aparece outro produto milagroso e bem trabalhado no marketing que vende sozinho.
    Na minha opinião. Manda líquida é premiar o serviço porco.

  10. Interessantes considerações técnicas e normativas. Lendo tais considerações, ficou claro para mim, leigo, que é importante a adequação ao problema e a forma de aplicar. Agora, levando isso em consideração, será que alguém poderia ao menos apontar 3 marcas com bom resultado para o que se propõem? Os leigos agradecem quando alguém separa o joio do trigo além de diversar sobre o tema.

  11. Prezado Ricardo
    Grato por entender o objetivo do artigo. Para separar o joio do trigo, observe na embalagem ou no texto técnico do produto, se cita e informa os parâmetro de que seguem uma norma técnica da ABNT.
    No caso das membranas acrílicas, temos a norma, já citada no texto, que é a ABNT NBR 13321:2008 – Membrana acrílica para impermeabilização.

  12. Entendi o falaram e entendi o que cada um quis dizer.não trabalho com nada disso .mas gostaria de uma ajuda sei também que aqui não é destinada a isso ,Mas me ajudem por favor coloquei uma batida com 110 metros quadrados paguei a firma pra montar a laje a parte das ferragens mais pitonera não ter sujeira nem estresses resumindo minha laje toda eu disse toda está com infiltração tipo chove mais fora do que dentro .o que me sugerem?

  13. Prezada Creuza
    É importante lembrar que a impermeabilização pode lhe dar estanqueidade à laje, mas não dará estabilidade.
    Consulte um Engenheiro para uma inspeção em sua laje, antes de comprar produtos para sua impermeabilização.

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