Hand drawn vector illustration or drawing of some people with urban mobility symbols

Até 60% dos deslocamentos nas cidades brasileiras são realizados por motivo de trabalho. A cada ano, perdemos em média 15 dias nesses trajetos[1]. O setor de transporte é responsável por, em média, 60% das emissões de gases do efeito estudo nas cidades do país. Números tão expressivos indicam que a mobilidade urbana não pode ser responsabilidade apenas dos governos: a contribuição do setor corporativo é crucial para um transporte mais sustentável.

Embora as empresas não determinem como as pessoas se deslocam até o local de trabalho, seus benefícios de transporte influenciam a escolha modal. A implementação de ações que favoreçam, por exemplo, a carona, o transporte coletivo e o ativo (a pé e bicicleta) faz com que a organização assuma sua responsabilidade social com relação a mobilidade sustentável e ainda beneficie a qualidade de vida dos seus funcionários.

Contudo, mesmo entre as Melhores Empresas para se trabalhar, a presença dos benefícios tradicionais ao automóvel ainda é expressivamente maior que a de ações em prol da mobilidade sustentável. Por exemplo, mais de 80% da Melhores oferecem vagas de estacionamento gratuitas e/ou subsidiadas, enquanto apenas 35% disponibilizam Vale Transporte com um desconto inferior ao mandatório em lei ou 8% possuem aplicativo para estimular a carona. Mais dados levantados na pesquisa realizada pelo GPTW Brasil e WRI Brasil podem ser conferidos no infográfico abaixo.

Millennials[2] representam outro fator que deve acelerar esta quebra de paradigmas. Segundo pesquisa conduzida pela Delloite[3], esta onda de novos profissionais, que tem sua conexão com o trabalho pautada no propósito maior da empresa, cobra mudanças, especialmente relacionadas ao meio ambiente. Essa geração também já deu sinais de estar menos interessada no automóvel em comparação com as passadas. Tais características fazem com que os tradicionais benefícios de transporte percam espaço para os incentivos à mobilidade sustentável e à flexibilidade. O horário flexível e o home office despontam como os maiores anseios da vida de trabalho da maioria dos Millennials e estão ligados ao melhor desempenho organizacional e retenção de talentos. Enquanto o horário flexível já é uma realidade em boa parte das Melhores, em apenas 11% delas o home office é uma possibilidade para a maioria dos funcionários.

A adoção de um Plano de Mobilidade Corporativa é uma solução criativa e inovadora que possibilita às organizações colocar o transporte sustentável como uma prioridade. Além de beneficiar a mobilidade, também pode aumentar a produtividade, trazer melhorias no clima organizacional e reduzir custos com transporte. Os Planos ainda podem ser incorporados como parte da política ambiental da organização – ISO 14001; e das diretrizes de responsabilidade social – ISO 26000; bem como contribuir para que governos atinjam as metas dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável).

Vivemos hoje um período decisivo para o combate às mudanças climáticas e uma das ações passa pelo incentivo à mobilidade sustentável. Para atingirmos resultados significativos, é essencial o comprometimento dos setores público e privado. Além disso, a nova geração vem cobrando ações mais contundentes por parte das organizações. A adoção de Planos de Mobilidade Corporativa representa uma oportunidade de cumprir metas climáticas ao mesmo tempo que atende às aspirações da nova geração. As empresas precisam ter um papel de maior protagonismo para incentivar e fortalecer a mobilidade sustentável; e espera-se que as Melhores estejam na vanguarda deste processo.

[1] EMBARQ Brasil (2015) Passo a Passo para a Construção de Planos de Mobilidade Corporativa

[2] Termo usado para categorizar os indivíduos que nasceram entre os anos 1980 e 2000

[3] Delloite (2017) The 2017 Delloite Millennial Survey

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Engenheiro de Produção e Mestre pela Escola Politécnica da USP Especializações no IMD (Suiça), Wharton (EUA), AOTS (Japão) e IESE (Espanha) Atualmente CEO do Great Place to Work Brasil Foi Diretor de Pré-Vendas e Relacionamento com Clientes na Telefônica Empresas Foi Vice-Presidente / Diretor / Executivo em diversas empresas, incluindo GVT (telefonia fixa), ATL (atual Claro, telefonia celular), Banco Popular do Brasil, Grupo VR (serviços financeiros), Diageo (consumo), Dow Química Responsável pela montagem e desenvolvimento de grandes equipes Foi membro do Conselho de Administração em empresa de internet Foi eleito Executivo de TI do Ano em 2002; recebeu 6 outros prêmios nacionais e internacionais Palestrante em inúmeros eventos no Brasil, Argentina e Inglaterra e colunista em diversas publicações em negócios, gestão e tecnologia Autor do livro “Qualidade no Atendimento e Tecnologia de Informação” pela Editora Atlas; co-autor de "Transformando a Cultura do Ambiente de Trabalho" pela Primavera Editorial e co-autor de “Temas Avançados em Qualidade de vida”, organizado por Alberto Ogata Specialties: Companies Start-Up; Project Management; New Business Development; Companies Evaluation; Business Strategy; IT Strategy & Governance; Systems Development & Implementation

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