Transformation of the gray, polluted town to a green, eco-friendly city with wind turbines and trees.

“Net Zero” é uma abreviação para os edifícios “ZERO NET ENERGY” ou “ZERO ENERGY BUILDING” (ZEB), nome dado ao empreendimento autossuficiente energeticamente, seja por produção de energia “in site” (no terreno, como por ex.: placas fotovoltaicas) ou “off site” (fora do terreno, ex.; Fazendas de turbinas eólicas que abastecem determinadas regiões, muito comum no nordeste do Brasil).  A palavra “NET”, em inglês, significa “líquido”, no sentido matemático ou financeiro (como por exemplo: Meu salário bruto é R$ 1.000,00 e o líquido R$ 750,00), portanto, um ZEB é aquele com ENERGIA LÍQUIDA ZERO. 

“Zero net energy significa Energia líquida Zero, ou seja, a energia gerada no edifício, menos a energia consumida no site ou através de offset é igual a zero. É o que sobra. Se você consome mais do que gera, sua Net energy é positiva. Se gera a mesma quantidade que consome, sua NET ENERGY É ZERO, se gera menos do que consome, sua NET energy é negativa”, é o que explica o Professor e Arquiteto Marcelo Nudel, que contribuiu para este post.

Vejam os princípios básicos deste tipo de edificação: 

– NET ZERO SITE ENERGY

É a energia que abastece a edificação sendo gerada no terreno, considerando uma média anual de consumo.

– NET ZERO SOURCES ENERGY (Recursos Energéticos)

Em alguns casos, não é possível a geração de energia renovável “in site”, portanto, é possível abastecer a edificação através de produção externa. Em outras palavras, é a energia que abastece a edificação sendo gerada fora do terreno, considerando uma média anual de consumo e também o gasto energético necessário na sua produção, transporte e distribuição. Reduzindo assim o custo na produção de energia.

– NET ZERO ENERGY EMISSION

São edificações que compensam a emissões de CO2 que causam através da produção de energia renovável.

– NET ZERO ENERGY COST

Sistemas que produzem mais energia do que consomem, colocando o excedente na rede.

Muito importante lembrar que para tudo funcionar de forma eficiente, é necessário o treinamento do responsável pela operação e manutenção da edificação, a fim de sempre verificar o funcionamento dos sistemas de forma integrada. No caso de grandes empreendimentos e prédios comerciais, por exemplo, existe o chamado “facility manager” (gerente de instalações), que cumpre este missão.

A influência da crise

Atualmente, nosso País passa por uma grave crise política e econômica. Diminuímos nossos consumos, as industrias de diversos setores reduziram brutalmente sua produção, o índice de desemprego subiu demasiadamente e muitos estão com medo e insatisfação.

E qual a relação da situação político-econômica no Brasil com edifícios Net Zero?

TODA!! Se o setor industrial estivesse em ritmo acelerado como entre os anos de 2008 a 2014, por exemplo, a rede de abastecimento de energia elétrica não teria capacidade para atender a tanta demanda, visto que o crescimento das cidades foi gigantesco e, consequentemente, o do consumo também. Com certeza teríamos muito apagões em diversas cidades brasileiras.

Um fator que contribui para a crise energética é a alta temperatura que estamos, literalmente, sentindo na pele (assista ao vídeo “Brasil 2040”, onde abordo este assunto). Aumento do uso de ar condicionado e as secas nos rios que abastecem nossas usinas hidrelétricas são cruciais e determinantes para o setor energético. O custo de energia dobrou pois foi necessário ativar usinas termoelétricas para atender as necessidades, e estas têm maior custo financeiro operacional, logo, este valor foi repassado para nós, consumidores.

Para que você possa ter uma ideia, durante a crise de 2008 no Arizona, nos Estados Unidos, muitos moradores que tinham suas casas financiadas em bancos preferiam pagar suas contas de energia, para não ficar sem ar condicionado do que pagar sua dívida de financiamento bancário, contribuindo diretamente para a quebra da economia americana.

Automação

Gostaria de ressaltar também a necessidade de um sistema de automação predial para atingir a redução no consumo energético e a eficiência total do empreendimento, seja uma residência ou um grande prédio. Pois assim podemos identificar algum problema como vazamento de água, lâmpadas no final do seu ciclo de vida, equipamentos com alto consumo, e também controlar o funcionamento de ambientes quando não tiver a presença de ninguém.

Não sei se você já pensou nisso, mas o consumo de água influencia diretamente no energético. SIM!! Veja, por exemplo, uma casa com chuveiro elétrico: banhos demorados = + água e + energia. A bomba necessária para levar a água vinda da rede até a caixa d’água la em cima na edificação também consome energia, logo quanto mais consumo de água, mais a bomba vai trabalhar para reabastecer o reservatório superior. Concordam?

E claro que não podia deixar de comentar que a eficiência energética depende diretamente de estratégias e soluções de projeto arquitetônico, que deve considerar o contexto e entorno onde a edificação será inserida,o clima local, orientação solar, materiais da envoltória, entre outros fatores que interferem no conforto interno do empreendimento.

Em países como os Estados unidos, França, Alemanha, Canadá e Japão, os ZEBs são comuns, no Brasil ainda não chegamos neste nível de construção, mas posso dizer para vocês com orgulho de que mesmo com a crise, o GBC Brasil divulgou que no primeiro trimestre de 2016 foi o melhor desde 2012 para os números do setor de construções sustentáveis. Bem legal não é mesmo?

Já imaginou com esta crise energética toda, acontecer um apagão e você se sentir seguro pois mora em uma casa NET ZERO?

Por Arqta. Denise Hamze Issa, LEED AP O+M

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here