As texturas acrílicas, de um modo geral, são conhecidas como revestimentos decorativos. Quanto a isso não há dúvida, haja vista que elas dão o aspecto final das construções, conferindo cores, texturas, realçando detalhes, ou seja, fazendo parte do projeto de arquitetura. No entanto, cabe a pergunta: podemos também chamá-las de revestimento técnico?

Para isso, precisamos nos certificar que as texturas acrílicas cumprem a função de proteger os substratos — reboco externo, alvenaria / concreto, revestimento interno — e consequentemente auxiliá-los na proteção dos espaços interiores das condições adversas do ambiente exterior: chuva incidente, ventos, trocas de calor e de vapor de água entre a superfície da parede e o ambiente interno e umidade ascensional proveniente do solo. Além disso, eles devem apresentar boa aderência, certa capacidade de dissimular fissuras e serem estáveis ao intemperismo.

O objetivo deste artigo é destacar requisitos de desempenho para que as texturas, na ausência de Norma Brasileira, atendam ao que prescrevem as normas europeias vigentes e que são utilizadas por institutos de pesquisas (Ex: IPT-SP).

A importância do desempenho das texturas se deve ao fato que, em sua grande maioria, as construções brasileiras apresentam fachadas constituídas de materiais cimentícios(concreto, bloco de concreto e argamassa) e/ou cerâmicos (tijolos cerâmicos), que são pouco flexíveis e porosos e que apresentam atividade capilar intensa, o que resulta em alta absorção da água (da chuva) e da umidade (do ar).

As intempéries atuam nas duas faces da parede que sofrem ação de “molhagem”, basicamente, devido aos seguintes fenômenos físicos:

  • Externamente: (i) quando chove, absorve a água pela força de sucção dos capilares
    presentes em sua microestrutura e (ii) quando a umidade relativa (UR) do ar externo
    é maior que a do ar ambiente interno, pelo fenômeno de difusão de vapor.
  • Internamente: quando a situação da UR é o contrário (maior do lado interior), o
    sentido da difusão se inverte, o vapor atravessa a parede, de dentro para fora, e se
    dissipa no ar exterior.

Assim, idealmente uma camada de revestimento deve apresentar, ao mesmo tempo: baixo coeficiente de absorção de água por capilaridade e uma razoável permeabilidade ao vapor de água. Estes dois parâmetros — que são inversamente proporcionais — devem estar ajustados, dentro de certo limite, para que seja assegurado o equilíbrio higroscópico do sistema (KUNZEL, 1995).

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Em (a) a condição de armazenagem segura da parede revestida, em (b) a sua saturação (Brosnan, 2003)

CARACTERIZAÇÃO DAS TEXTURAS
Existem ensaios padronizados nas Normas Europeias que medem o desempenho das texturas acrílicas para que elas sejam realmente protetoras do substrato:


Se o revestimento texturizado apresentar resultados dentro dos parâmetros descritos acima, pode-se dizer que está bem formulado e tem condições de proteger o substrato. Se assim for, poderemos chama-las de revestimentos técnicos decorativos.
Já passou da hora de nós nos organizarmos para elaborar uma norma brasileira de qualidade e atual, – que realmente proteja todos os interessados: construtoras, fabricantes e o público de um modo geral. Contem conosco.

*Artigo elaborado por Carlos Eduardo Carbone e Osmar Hamilton Becere (Pesquisador do IPT-SP e Mestre em Engenharia pelo IPT-SP) e originalmente publicado na Revista Construção – Sinduscon – SP, nº 154, ano 13,jun 2016, pg 48.

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1 COMENTÁRIO

  1. Caro Professor Carbone

    Acabo de ler seu artigo e gostaria de saber se o sr. pode me ajudar.

    Sou aluno do curso de mestrado do IPT e estou escrevendo sobre patologia em textura acrílicas (bolhas de pressão).

    Estou montando a dissertação e no momento escrevendo sobre a caracterização da textura.

    Pode me ajudar com este material ?

    ISO 12.148 (2002) Absorção de Água por capilaridade
    ISSO 12.572 (2001) Permeabilidade ao vapor d’ água
    DIN 18858:1985 Segurança Higroscópica
    ABNT NBR 13.380 (2006) C-UV
    AFNOR P-84 Permeabilidade de água sob pressão
    UEAtc-LNEC: 1978 Aptidão para dissimular fissuras
    ABNT NBR 13.258: 1995 Resistência de aderência

    Obrigado

    Rogério Tavares Garcia
    Gerente Geral de Obras

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